22 de novembro de 2008

Santa Cruz do Capibaribe, a capital nordestina da moda

A partir de hoje você confere uma série de três reportagens sobre Santa Cruz, sua economia e o Moda Center. De início confira a reportagem sobre o início de nossa produção têxtil:

Laís Aragão tem 21 anos, há dois trabalha na feira da sulanca como vendedora de vestidos confeccionados em liganete produzidos por sua família.
Ela nem imagina que esta atividade econômica originou-se de maneira tão curiosa, quando no final dos anos 40 do século XX Santa Cruz ainda era vila da cidade de Taquaritinga do Norte e tinha como atividade econômica apenas a agricultura surgiu então a confecção de colchas de retalhos de helanca (tecido vindo do sul do país e vendido aqui pelos pioneiros no ramo Pedro Diniz, Manoel Caboclo e Dedé Moraes) que eram confeccionadas de início pelas próprias esposas dos três empresários e vendidas na chamada Rua Grande (atual Avenida Padre Zuzinha), centro comercial daquela época.
A atividade cresceu e com ela a chance de ganhar dinheiro. Com isso muitas outras pessoas ingressaram e passaram a confeccionar outras peças como shorts, por exemplo. Em seguida comerciantes passaram a levar as roupas a preço de revenda para outros estados brasileiros como Bahia e Maranhão.
Com esse crescimento da atividade foi aumentando o número de pessoas confeccionando e por conseqüência a procura pela matéria prima, nesse caso o tecido. Em 1953 Santa Cruz do Capibaribe é emancipada transferindo para cá todos os lucros.
É ai então que entra a figura de Fernando Silvestre, caminhoneiro já falecido que por volta de 1963 visualizando a possibilidade de expansão da atividade investiu 30 mil contos de réis na revenda de tecido trazido da região sul. De inicio Noronha vendia apenas às costureiras, e isso na base da confiança sem nenhuma comprovação burocrática. Depois ele investiu pesado no ramo tornando-se um dos homens mais ricos da história da região agreste.
O ramo foi sendo ampliado e os confeccionistas passaram a comprar tecido também no Recife e direto de São Paulo, prática que permanece até hoje. Como acontece com o empresário Severino Pedro (53), proprietário de uma loja de tecidos . ´´Comprar em São Paulo é muito vantajoso, pois conseguimos preços bem reduzidos e mercadoria de qualidade`` disse ele.
Com isso a sulanca tornou-se fenômeno atraindo inicialmente grande parte da população rural que transferiram as residências para a cidade. Em seguida despertando as atenções de moradores de várias regiões de Pernambuco e de estados como Paraíba, Alagoas, Sergipe entre outros. Que migraram para Santa Cruz em busca de emprego seguro e melhores condições de vida.
Ainda hoje a cidade é atrativa e tida como uma das com o menor índice de desemprego do país. A senhora Maria da Soledade (34) paraibana da cidade do Congo, mãe de três filhos é um desses exemplos. Passando necessidade em seu município ele veio para Santa Cruz há oito anos aprendeu a costurar e hoje tem uma renda mensal de R$600,00. Ao conversar conosco ela disse ´´ Santa Cruz é um lugar abençoado por Deus, desde que vim para cá consegui muitas coisas e ainda ajudo minha mãe que mora no Congo mandando dinheiro``.

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