COLUNA DO MEIO
CULTURA & COMPORTAMENTO
QUANDO DOIS VIOLEIROS TOCAM
Resulta num show singelo e intimista o encontro musical de Renato Teixeira e Zé Geraldo, dois dos maiores nomes do folk nacional.
Jan Mayen Somar
As pessoas sempre me perguntam que tipo de música eu ouço, aí para encurtar o assunto eu digo o mesmo que 10 entre 10 respondem hoje em dia: “Eu sou eclética”! Calma gente, eu sei que virou lugar comum dizer isso, mas no meu caso é “a mais pura verdade”, já tasquei outro clichê aqui!
A gênese ou a formação do meu gosto musical teve inicio nos anos 80, e a maior parte do que eu ouvia era contra a minha vontade, explico: um irmão mais velho estudava em São Paulo, e sempre que ele vinha passar as férias em casa trazia na bagagem vários LPs de artistas bem variados, o meu irmão já era eclético e nem sabia!
Nossa casa virava o reduto dos ‘bichos grilos’ de plantão, como a banda Camisa de Vênus xingando deus e o mundo, outra hora era Raul Seixas aos berros dizendo que nasceu a dez mil anos atrás, logo seguido por Alceu Valença anunciando o verão, e entre uma dose e outra lá vinha Zé Ramalho e seu admirável gado novo, de repente trocava-se o vinil e eis que a voz rouca de outro Zé, agora o Geraldo, enche toda a casa para falar que na maioria das casas também não pode entrar, e nesta farra sonora havia lugar até para os gringos, que o digam os Bobs: Dylan e Marley, e de tanto ouvir Rod Stewart confesso que já gostava embora ainda não soubesse! Tinha ainda muito rock e pop nacional, MPB, e os feras do rock progressivo como Pink Floyd e Dire Straits. na geléia geral musical da minha infância, não poderia deixar de citar as influências maternas: Luis Gonzaga e Teixeirinha, direto na veia e sem anestesia. Foi minha mãe que me abriu os olhos para o cancioneiro popular, e tome Lima Duarte todo domingo de manhã em volume máximo na velha TV p&b com seu programa de música caipira, cujo o tema clássico da abertura ‘Amanheceu, Peguei a Viola’ é do Renato Teixeira, isso pra não falar na “Discoteca do Chacrinha”... tempos bons, e que só agora sei o verdadeiro valor.
Pronto, depois desta breve analise consegui dar o clima para vocês poderem imaginar o que foi ver e ouvir Zé Geraldo e Renato Teixeira ao vivo e o que isso representa, para mim foi mais que um simples show, foi um resgate da minha infância e adolescência e uma forma de poder voltar em pensamento ao lar.
O show aconteceu no último domingo no Embratel Convention Center, que fica no Shopping Estação aqui em Curitiba.
Quando o Zé subiu ao palco do auditório lotado, um homem ao meu lado perguntou se ele era o Papai Noel, respondi que só se for na versão diet! É os cabelos não são mais os mesmos, mas a voz continua a mesma, ainda bem, e lá se vão 30 anos de carreira desde ‘Cidadão’ seu primeiro sucesso , com o qual abriu seu show e começou a desfiar as melhores pérolas do seu repertório. O cenário era clean e dispunha basicamente de um telão imenso no centro do palco e dois menores em formato redondo nas laterais.
O intimismo ficou mais evidenciado pelo acompanhamento exclusivo das cordas (violão e violão de aço) e da gaita.
Quando o rosto de Bob Dylan surgiu eu sabia que velhas conhecidas dariam as caras e não hesitei em cantarolar ‘Senhorita’ e ‘Como diria Dylan’, o mesmo aconteceu quando avistei uma praça, lá vou eu de novo dar ‘Milho aos Pombos’. e assim como um escafandrista fui mergulhando em impressões do meu passado. Só faltou a linda ‘Negro Amor’ versão que Caetano Veloso e Péricles Cavalcanti fizeram no final dos anos 70 de ‘It´s All Over Now, Baby Blue’ do Dylan, cujo Zé gravou com tanta propriedade no seu último registro ao vivo “Um Pé no Mato - Um Pé no Rock”.
A emoção maior porém estava por vir quando Zé chamou Renato Teixeira para dar conta na sua parcela do espetáculo.
No intervalo das canções Renato Teixeira nos levava às gargalhadas com suas tiradas hilárias como essa por exemplo: “Sou tão desligado que até hoje não sei quem é Tonico e quem é Tinoco, mas sei que tem gente pior ainda e que não sabe quem é o Júnior e quem é a Sandy!”. Ao final ele convidou o amigo Zé para voltar à cena, e juntos cantaram músicas revezando a autoria numa ótima dobradinha, coroada com ‘Romaria’ e imagens de arquivo no telão mostrando Elis Regina em sincronia cantando a mesma canção.
Se houve bis? Claro, ‘Oh! Deus Salve o Oratório’ de Milton Nascimento e de lambuja ‘Felicidade’ de Lupicínio Rodrigues pararam de cantar na metade e se retiraram abraçados enquanto o público continuou até o fim.
A gênese ou a formação do meu gosto musical teve inicio nos anos 80, e a maior parte do que eu ouvia era contra a minha vontade, explico: um irmão mais velho estudava em São Paulo, e sempre que ele vinha passar as férias em casa trazia na bagagem vários LPs de artistas bem variados, o meu irmão já era eclético e nem sabia!
Nossa casa virava o reduto dos ‘bichos grilos’ de plantão, como a banda Camisa de Vênus xingando deus e o mundo, outra hora era Raul Seixas aos berros dizendo que nasceu a dez mil anos atrás, logo seguido por Alceu Valença anunciando o verão, e entre uma dose e outra lá vinha Zé Ramalho e seu admirável gado novo, de repente trocava-se o vinil e eis que a voz rouca de outro Zé, agora o Geraldo, enche toda a casa para falar que na maioria das casas também não pode entrar, e nesta farra sonora havia lugar até para os gringos, que o digam os Bobs: Dylan e Marley, e de tanto ouvir Rod Stewart confesso que já gostava embora ainda não soubesse! Tinha ainda muito rock e pop nacional, MPB, e os feras do rock progressivo como Pink Floyd e Dire Straits. na geléia geral musical da minha infância, não poderia deixar de citar as influências maternas: Luis Gonzaga e Teixeirinha, direto na veia e sem anestesia. Foi minha mãe que me abriu os olhos para o cancioneiro popular, e tome Lima Duarte todo domingo de manhã em volume máximo na velha TV p&b com seu programa de música caipira, cujo o tema clássico da abertura ‘Amanheceu, Peguei a Viola’ é do Renato Teixeira, isso pra não falar na “Discoteca do Chacrinha”... tempos bons, e que só agora sei o verdadeiro valor.
Pronto, depois desta breve analise consegui dar o clima para vocês poderem imaginar o que foi ver e ouvir Zé Geraldo e Renato Teixeira ao vivo e o que isso representa, para mim foi mais que um simples show, foi um resgate da minha infância e adolescência e uma forma de poder voltar em pensamento ao lar.
O show aconteceu no último domingo no Embratel Convention Center, que fica no Shopping Estação aqui em Curitiba.
Quando o Zé subiu ao palco do auditório lotado, um homem ao meu lado perguntou se ele era o Papai Noel, respondi que só se for na versão diet! É os cabelos não são mais os mesmos, mas a voz continua a mesma, ainda bem, e lá se vão 30 anos de carreira desde ‘Cidadão’ seu primeiro sucesso , com o qual abriu seu show e começou a desfiar as melhores pérolas do seu repertório. O cenário era clean e dispunha basicamente de um telão imenso no centro do palco e dois menores em formato redondo nas laterais.
O intimismo ficou mais evidenciado pelo acompanhamento exclusivo das cordas (violão e violão de aço) e da gaita.
Quando o rosto de Bob Dylan surgiu eu sabia que velhas conhecidas dariam as caras e não hesitei em cantarolar ‘Senhorita’ e ‘Como diria Dylan’, o mesmo aconteceu quando avistei uma praça, lá vou eu de novo dar ‘Milho aos Pombos’. e assim como um escafandrista fui mergulhando em impressões do meu passado. Só faltou a linda ‘Negro Amor’ versão que Caetano Veloso e Péricles Cavalcanti fizeram no final dos anos 70 de ‘It´s All Over Now, Baby Blue’ do Dylan, cujo Zé gravou com tanta propriedade no seu último registro ao vivo “Um Pé no Mato - Um Pé no Rock”.
A emoção maior porém estava por vir quando Zé chamou Renato Teixeira para dar conta na sua parcela do espetáculo.
No intervalo das canções Renato Teixeira nos levava às gargalhadas com suas tiradas hilárias como essa por exemplo: “Sou tão desligado que até hoje não sei quem é Tonico e quem é Tinoco, mas sei que tem gente pior ainda e que não sabe quem é o Júnior e quem é a Sandy!”. Ao final ele convidou o amigo Zé para voltar à cena, e juntos cantaram músicas revezando a autoria numa ótima dobradinha, coroada com ‘Romaria’ e imagens de arquivo no telão mostrando Elis Regina em sincronia cantando a mesma canção.
Se houve bis? Claro, ‘Oh! Deus Salve o Oratório’ de Milton Nascimento e de lambuja ‘Felicidade’ de Lupicínio Rodrigues pararam de cantar na metade e se retiraram abraçados enquanto o público continuou até o fim.
Jan Mayen Somar, é ex-aluna de jornalismo, ama música, não fala com o irmão que citou há anos, mas gostaria que ele pudesse ler este artigo para agradecer-lhe por ter-lhe ajudado se tornar tão ‘eclética’.
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