20 de junho de 2009

“Brasil: O país da contradição”

Por Betto Aragão
-
Estou envergonhado de ser jornalista. Em um país onde a contradição rola solta. O Brasil é a nação de fato, o país da contradição. O Ministério da Educação exige mil e uma coisas para se abrir um curso de jornalismo em uma faculdade, aí vem o Supremo Tribunal Federal - STF e julga que o jornalista não precisa ter diploma para atuar. Engraçado não é? Pois, eu, enquanto jornalista, não acho graça alguma. Estou revoltado com as leis do meu país! Uma lei que não respeita quatro anos passados em uma academia. Uma lei que trata jornalista, contador da história atual, como um cozinheiro, e não interpretem discriminação quanto aos cozinheiros, até mesmo porque eu adoro cozinhar.

Em um país, onde o nosso presidente, chefe maior da nação critica os jornalistas por exercerem sua função em apurar as informações do presidente do Senado, José Sarney, já era de se esperar tal decisão. O presidente da Corte, Gilmar Mendes, relator do processo, se ateu a alegação de que a obrigatoriedade do diploma de jornalista fere a isonomia e a liberdade de expressão garantida pela Constituição. Como bem mostra Alberto Dines em seu artigo publicado no Observatório da Imprensa, os jornais da Europa e Estados Unidos preferem os profissionais diplomados, pois os mesmos são formados com base em ética e legislação, cadeira obrigatória nos cursos de jornalismo em todas universidades, mostrando assim, que o jornalista por formação acadêmica sabe até onde pode chegar.

Cabe aos nossos chefes de redação e proprietários de jornais em geral, que assim como eu, tenho certeza que estão revoltados com a tal queda da exigência do diploma, contratar apenas os jornalistas formados. Assim, quem sabe, um dia nós mesmos com nossas atitudes de boicotar os profissionais não diplomados possamos por conta própria fazer tal exigência vigorar!

Nenhum comentário: