5 de julho de 2009

Preservar sua história é preciso!

Por: Betto Aragão

As gameleiras centenárias da Avenida Padre Zuzinha em Santa Cruz do Capibaribe, símbolos da cidade parecem perder o sentido para a população. Uma delas que sombreava o antigo ´´Madrugão``, lanchonete que funcionava em um trailer bem em frente ao largo da via, foi drasticamente desmatada, ninguém sabe, ninguém viu, ninguém fez nada para impedir. Hoje apenas o tronco aguarda ser retirado para dar fase final ao que outrora serviu de sombra para lanchonete, visitantes e feirantes da feira de mangaio. E por falar em preservação, a feira citada, sendo um símbolo cultural de cidades do interior nordestino, a meu ver, deveria receber incentivos para serem preservadas.

Esse tipo de comércio muitas vezes tem sido objeto de estudo por antropólogos e sociólogos. Em muitas cidades do interior da Paraíba essas feiras têm sido visitadas por gente de muitas partes do Brasil. Em Santa Cruz do Capibaribe, muitas bancas já se perderam no tempo, ficando apenas as bancas de frutas e verduras. Os artigos em couro para o homem do campo, as redes, artesanatos, enfim, esses artigos estão sendo trocados pelos produtos importados.Diante mão, quero levar ao conhecimento dos leitores desse blog que eu tive acesso a uma pesquisa onde mostra que em 2030 o mundo sofrerá uma escassez de alimentos, em 2050 essa escassez se agravará e se tornará em uma crise mundial de alimentos. Analisando essa pesquisa, pude concluir que tudo isso decorre em não se preservar o que temos. Ou seja, na ânsia de achar que os grandes centros são os melhores locais para se viver, o homem do campo vão perdendo a vontade de cultivar a terra e vendem suas propriedades para os latifundiários.

Essa perca de perspectivas do camponês todos nós temos culpa, os artigos comercializados na feira de mangaio, que não se encontra mais eram fortemente comprados pelos agricultores que lotavam a Padre Zuzinha todas as segundas feiras.

Outra coisa que me chama atenção em Santa Cruz do Capibaribe é a reordenação do casario antigo na mesma avenida citada acima. Os traços barrocos e azulejos portugueses que se via nas sacadas das casas, com as reformas que vem sofrendo pelos atuais proprietários estão se perdendo. Isso se chama cultura de um lugar. Fico muito triste quando ouço alguém dizer que Santa Cruz não tem cultura, ora, esses que dizem nem sabem o que é cultura! Normas, crenças e valores de uma determinada sociedade se denominam cultura. Os valores que se teve outrora nessa avenida, infelizmente eu vejo que está se acabando. Vamos preservar ainda o pouco que nos resta!
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Texto retirado do Blog da CDL(http://www.blogdacdlscc.blogspot.com/) e escrito pelo jornalista Betto Aragão.

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