26 de agosto de 2009

Fé é bom para todos, ou só para quem a tem?

Pelo modo como é estruturada em todas as culturas, a crença religiosa funciona como o principal organizador mental que uma pessoa possa ter sobre suas experiências particulares e as de seu mundo, tornando-se a lente com que enxergamos a realidade, é a forma de se ver o mundo. Existem, entretanto, outras formas de expressão, como as ciências, as artes e a filosofia, mas a espiritualidade também está presente em todas as classes sociais e, não necessariamente, se confronta com as demais.

Assim, todas as sociedades tem alguma forma de expressão de espiritualidade e tal expressão é o espelho da identidade de um povo. Através da fé se justificam ações de todo gênero, de generosidades até atrocidades (lembrem de terroristas que pregavam a Jihad, conhecida como Guerra Santa), de comportamentos altruístas até a separação e discriminação de grupos de pessoas. Quando se recorre a psicologia para analisar os efeitos da fé, sempre é levantada a pergunta: crer faz bem?

As fés contribuem para formar a personalidade de crentes e descrentes. Religiosos, agnósticos e ateus adotam sua crenças quando se deparam com a gama de preceitos e dogmas da religião presentes no dia-a-dia. Surge a identificação com uma ou com outra e ocorre a escolha. No entanto, mesmo quem não compartilha da mesma religião predominante, sempre adota boa parte dos preceitos e valores morais para poder se relacionar com os semelhantes, seja a tradição judaico-cristã para nós, ou o hinduísmo na Índia e o budismo na China, etc. Segundo a psicóloga Israela Silbermam, especialista nesse tema, o exercício da religião pode ter efeitos positivos e negativos sobre as pessoas: pode criar conflitos familiares, mas também acelerar soluções, pode levar ao perdão ou à vingança, encorajar o terrorismo ou a tolerância. Quando a religião possui um dogma de Deus acolhendo os justos e punindo os maus, algumas pessoas podem alcançar bem-estar e serenidade, enquanto outras são tomadas por desilusões quando as esperanças não são satisfeitas. Qualquer que seja a fé, quando há rigidez e impossibilidade de respeitar outras crenças, há prejuízos.

Afinal, a religião faz bem? Para muitos especialistas, a resposta é bem vaga: depende, “depende mais de quem a segue, de como é praticada (e do líder religioso que a transmite) que da própria instituição religiosa”. Uma vez que todo mundo se propõe a levar A verdade e rejeitar a crença alheia estaríamos desrespeitando parte de um dos preceitos cristãos “amai o próximo como a ti mesmo”.

Ulisses Nascimento, graduando do 8° período em Psicologia pela Universidade Estadual da Paraíba.

Um comentário:

Anne disse...

O problema é que as pessoas muitas vezes confundem fé com religião e acabam entrando em conflito por conta disso. Se as pessoas respeitassem umas as outras, concentrariam-se mais em sua prórpia fé, e, aí sim, esta seria bem melhor aproveitada.