19 de agosto de 2009

Gravidez na adolescência: imprevista sim, indesejada não!

Até a algumas décadas a gestante ter menos de 18 anos era muito comum e aceitável, pois as jovens se casavam entre 15 e 16 anos e constituíam uma família desejavelmente numerosa. No entanto, hoje, é preocupante o crescente número de gestações indesejadas que ocorrem pela imaturidade do uso da sexualidade por adolescentes sem união estável. Para o médico ginecologista Nelson Vitiello, “esses jovens ainda não são capazes de avaliar, e principalmente de assumir o ônus da vida sexual ativa”.

Por não haverem dados precisos sobre adolescentes grávidas, no Brasil se levanta uma estimativa de que do total de bebês nascidos anualmente, 20% são filhos de mãe com menos de 18 anos. Por outro lado, a estimativa de abortos clandestinos varia de 3 a 5 milhões por ano, destes, pelo menos um terço serem realizados em menores. Através dessas estimativas, se pressupõe um mínimo de 2 a 3 milhões de adolescentes que engravidaram indesejavelmente. São inúmeras as complicações médicas provenientes de uma gravidez indesejável na adolescência, mas o que mais preocupa são aspectos psicossociais, como o aborto provocado, o casamento por conveniência e/ou se tornar mãe solteira adolescente.

O aborto provocado tem consequências orgânicas e emocionais. Por ser ilegais e clandestinos, os abortos não são assistidos por profissionais qualificados e em condições higiênicas adequadas. A abortante pode sofrer hemorragias e infecções que levam da esterilidade ao óbito. No que confere às consequências emocionais, o abortamento de um feto gera um sentimento de culpa, visto a incompetência dos pais no uso de métodos contraceptivos e pela culpabilização indevida do ser abortado. É comum as jovens desencadearem depressão, disfunções sexuais e problemas na formação de vínculos emocionais. Casamentos por conveniência são instáveis e tendem a término precoce. A mãe solteira sofre incontáveis limitações sociais, como evasão (abandono) escolar, afastamento dos amigos, etc. No entanto, o pesar pode também recair sobre o filho indesejado, uma vez que este abandono emocional pode se tornar fator gerador de inadequação social, mortalidade infantil e delinquência juvenil.

De fato, a melhor forma de se prevenir a gravidez indesejada na adolescência é com a quebra de vários tabus sobre a sexualidade e o uso de algum dos diversos contraceptivos. Mas no caso de já ter havido a concepção a tomada de responsabilidade dos genitores, juntamente com o apoio financeiro, social e/ou moral de suas famílias parece ser o caminho mais saudável para que se tomem atitudes que valorizem a vida e o bem-estar de todos. Para que assim a criança seja considerada como imprevista, mas não como indesejada.

PS: em breve também trarei um artigo sobre paternidade na adolescência.
Ulisses Nascimento, Graduando em Psicologia pela Universidade Estadual da Paraíba.

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