-
Três faces do amor: a transformação da capacidade de amar
Ah, o Amor! Quando falamos em amor lembramos do mais puro sentimento existente entre os seres, sejam e
stes gente ou bicho. É os bichos também amam. Do seu jeito, mas amam. Amam para preservar a espécie. Amam para defender seus filhotes e se amam para copularem. Amam naturalmente. Mas nós, gente pensante, não! Amamos de acordo com regras que a sociedade impõe. Destaco aqui, em especial, três tristes formas de amor que estiveram presente em momentos diferentes da humanidade: o Amor Cortês, o Amor Louco e o Amor Líquido.
stes gente ou bicho. É os bichos também amam. Do seu jeito, mas amam. Amam para preservar a espécie. Amam para defender seus filhotes e se amam para copularem. Amam naturalmente. Mas nós, gente pensante, não! Amamos de acordo com regras que a sociedade impõe. Destaco aqui, em especial, três tristes formas de amor que estiveram presente em momentos diferentes da humanidade: o Amor Cortês, o Amor Louco e o Amor Líquido.-
Quando se fala em cortês, lembramos de cortesia, o Amor Cortês é aquele amor que nossos avós (ou bisavós) diriam o “romântico de antigamente”. Em olhar rápido percebemos todo o respeito dado pelos “apaixonados” desse tipo de amor. Quando se conheciam, os amantes se cumprimentavam e se tratavam pelo prenome de senhor e senhora. Se passeavam juntos evitavam a demonstração pública de sentimentos. Beijos e carícias eram alvos de extrema censura. Mas, como afirma a psicanalista Lúcia Grossi, “o Amor Cortês é, para o homem, cuja dama era inteiramente, no sentido mais servil, a sujeita, a única maneira de se sair com elegância das diferenças de cada amante”. Assim, a mulher que ocupava o lugar de serva na sociedade, nesta relação amorosa ocupou o lugar de cortejo.
O Amor Louco é aquele que passa a considerar as múltiplas formas de amar das pessoas. Homem e mulher não se amam mais de apenas uma forma. Não há mais a única relação entre o senhor e a serva. Neste tipo de amor se considera a experiência do ser, um combate entre a vida e a morte, ou seja, os desejos de vida, de experiências que fervem em cada indivíduo, os apaixonados se entregam para vivê-lo, mas se limitam ao parceiro. Então o amante que chamamos de alienado se perde, é anulado, deixa de ser uma pessoa para satisfazer o outro, que é o louco. Comum neste amor, parceiro mudar seus hábitos, deixar de usar certas roupas, escantear os amigos, deixar de existir para a sociedade. Mesmo assim é o amor mais intenso, sincero e profundo. É um amor utópico, que sonha com um mundo novo.
Por fim, o Amor Líquido é a face do amor que mais domina o coração dos apaixonados de hoje. É um amor calculado entre custo e benefício. Se não há vantagem em se apaixonar, por que deve ser feito? O laço de amor parece ser composto por uma linha de costura. Tempo e espaço deixam de fazer sentido. A eternidade é curta e o contato físico é desnecessário (vejam os namoros via internet) Muitos acontecem sob formas pervertidas: imaginem os pedófilos online. O vínculo e a cumplicidade é fraqueza para os apaixonados líquidos. Os parceiros fluem de parceiros. O amor parece ser transitório como a água de um rio.
-
José Ulisses, bacharelando em Psicologia pela Universidade Estadual da Paraíba

Nenhum comentário:
Postar um comentário