Com os novos estilos de vida a família tem perdido seu título de sagrada e, cada vez mais temos assistido uniões conjugais desfeitas e refeitas. Pesquisas mostram que no último século tem crescido bastante a quantidade de casais que se divorciam legalmente ou se separam. No Brasil, a lei do divócio foi instaurada em 1977 e recentemente basta ter acesso à internet para desfazer o laço matrimonial. Por outro lado, esses mudanças de vida tem acompanhado o desenvolvimento e a educação infantil e as crianças cada vez mais tem se tornado tolerantes aos novos arranjos familiares.
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Para a psicológa Rosane Mantilla de Souza, apesar de tolerarem mais a separação de seus pais e aceitarem que o casamento não é para sempre, isso não significa que as crianças dos dias de hoje estejam sofrendo menos. Como diz a psicóloga, experiências de separação, divórcio e novos relacionamentos exigem variadas estratégias de enfrentamento para que todos possam lidar de forma mais saudável com a situação. Para isso vale destacar que só informá-las sobre o que se passam não é o suficiente, no entanto, as crianças são sempre "preservadas" pelos seus pais como forma de livrá-las do sofrimento. Quando o relacionamento está desandando, muitos aspectos do cotidiano mudam, enfraquecem-se os vínculos e calor humano é esfriado. Por fim, a falta de afeto é percebida pelos filhos também com as tentativas de poupá-la.
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Acreditar que os pais em geral podem se separar é diferente de acreditar que os meus pais próprios pais vão se separar. Quando a realidade sombria, antes distante, se apresenta para as crianças é preferível que seja com conversa franca dos seus pais, para que elas sintam confiança e compromisso deles e para que não haja dúvidas de que ela é o motivo das brigas. São comuns algumas reações adversas em relação à separação dos pais, por exemplo:adoecimentos, disturbios do sono, comportamentos de regressão (chupar o dedo, fazer xixi na cama etc), transtornos de alimentação, agressividade e problemas escolares. Rozane Souza ainda fala em sinceridade e clareza quando se falar dos novos companheiros dos pais.
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Cabe aos pais o enfrentamento dos pactos de silêncio, se necessário com a ajuda de profissionais de psicologia. Afinal, como diz a psicóloga de família, uma importante conquista pósseparação é a possibilidade de melhor comunicação entre pais e filhos.
Extraído de Na opinião das crianças, Revista Mente e Cérebro. Dezembro/2006
Ulisses Nascimento, graduando em Psicologia.
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