15 de janeiro de 2010

“Sua Majestade, o Bebê”: o narcisismo infantil como uma questão de amor

O amor é uma temática bastante comum entre poetas, romancistas, religiosos e filósofos. Eles foram os responsáveis por se criar todo um ideário, podemos dizer universal visto a globalização das idéias e da cultura, referente ao assunto. Este ideário sobre o amor e a paixão constitui o arcabouço imaginário daquilo que se acredita ser o que há de mais justo, belo e puro nas relações humanas. “Sem o amor, eu nada seria...” como está escrito no livro de Coríntios, na Bíblia Sagrada.

No campo da psicanálise, Freud retoma o mito de Narciso – figura que ao ver sua imagem refletida, é tomado por um auto-encantamento bastante intenso – e cria o conceito de narcisismo, que é a forma mais verdadeira de “amor-próprio”. Mas Freud acredita que, o narcisismo é uma fase necessária à formação do eu, em todos os sujeitos. Nesta fase, o sujeito ainda criança não começa a separar o que é de fora de si, do que é dela de fato. Então suas energias de vida passam a se direcionar apenas para si, para seus desejos e suas necessidades, e exigem a satisfação. Não sem razão, Freud ironiza quando fala que para os pais “Sua Majestade, o Bebê” é o centro das atenções.

A experiência que a criança tiver com os pais vai ser significativa para que, dentre outras coisas, ela adote um determinado tipo de escolha de objetos amorosos. É bom entendermos como objetos amorosos tudo com que o sujeito se relacione: pessoas, amigos, parceiros, tipos de brincadeiras, preferências por quaisquer coisas que o atrai. Visto que o amor que Freud descreve, é um amor do dia-a-dia, está presente em todas as nossas relações, em tudo aquilo que investimos as nossas energias de vida, é um conceito ampliado de amor.

Assim, durante a infância, com algo que acontece na relação com o pai e a mãe, o sujeito aprende uma forma particular de liberar ao mundo essa energia de vida contida, e direciona de forma também particular esse amor. Principalmente na adolescência é que surgem os sinais do que foi produzido na infância e daí se manifestam de formas características em homens e mulheres.
Em outros momentos trarei um pouco de como a psicanálise compreende como homens e mulheres amam.

Ulisses Nascimento, bacharelando em Psicologia pela Universidade Estadual da Paraíba.

Um comentário:

Anne disse...

De fato, é natural que os pais expressem seu amor pela criança, representada de forma inocente e indefesa, carente de afeto. E a primeira relação de amor que a criança tem é a do amor maternal e paternal, por isso é tão importante e determinante para as futuras relações da mesma.


Adorei o texto, bem esclarecedor. Os próximos devem ser ainda melhores!!